Paulo Guedes perde força no governo e privatizações ficam ameaçadas

Sei que o foco do noticiário do dia foi o Ministério da Justiça, mas quero falar da economia. Pois ontem o Ministro da Casa Civil apresentou um programa muito parecido com o PAC de Lula e Dilma. Ambos tem em sua espinha dorsal o crescimento econômico promovido por investimentos do estado. E o projeto foi feito sem a consulta de Paulo Guedes, que é um liberal convicto. Isso evidencia que Guedes não é mais o Posto Ipiranga do presidente. E assim o ministro e seus projetos perdem força.

Isto acende o sinal amarelo nos investimentos calcados em privatizações. Na manhã de hoje, ao avaliar o cenário descrito acima, decidi colocar uma ordem de stop loss em Eletrobras a R$ 24,25. E na semana passada eu já havia colocado uma ordem semelhante nos papéis do Banco Pan, a R$ 5,45, que acabaram sendo executadas hoje à tarde. Havia percebido que a Caixa tinha problemas mais urgentes para pensar no curto e médio prazo do que a venda de sua participação no ex-banco do Sílvio Santos. Falarei com mais detalhes sobre este investimento em breve.

Hoje à noite, mais um forte indício da minoração de Guedes: o Jornal da Record, canal que é amigo do rei, bateu forte em sua figura. Entre as várias críticas feitas, acusou o Ministro da Economia de falta de sensibilidade com os mais pobres.

A maré virou mesmo na macroeconomia brasileira.

Coronavírus atrasa, mas não muda os planos de privatização da Eletrobras

Semana passada, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, externou seu pensamento de que os planos do governo federal para a privatização desta estatal continuam os mesmos, apesar do atraso no cronograma imposto pelo Covid-19. Ferreira Junior acredita que a matéria só será apreciada pelos deputados ao final deste ano, mas que o projeto não será modificado.

Isto confirma as grandes chances de valorização do papel até meados do ano que vem, algo em torno de 75% a partir da cotação de hoje do papel.

Eu concordo com Mansueto Almeida, quando ele diz que não se deve “privatizar por privatizar.” Porém a venda da Eletrobras também era defendida pelo governo Temer. Então é um fato que será consumado em breve.

E como não tenho poder de decisão neste assunto, só me cabe tirar algo de positivo deste evento.

Empresas do setor elétrico vêm se recuperando bem

(Wilton Jr / Estadão)

A MoneyTimes percebeu que o setor elétrico está se recuperando com vigor. Diz a publicação que “Elétricas seguem tendência de recuperação do mercado. O setor de energia elétrica vem acompanhando a trajetória de recuperação do Ibovespa, ainda que seu desempenho esteja ligeiramente abaixo do registrado pelo mercado.

Só hoje, a Eletrobras subiu 5,29%.

A carteira da Potencial agradece.

Lista de estatais a serem privatizadas está feita

(Wilton Jr / Estadão)
(Wilton Jr / Estadão)

A colunista Bela Megale traz a notícia em seu blog no jornal O Globo de que o Ministério da Economia já fechou a lista das estatais que serão privatizadas, extintas e mantidas.

As que puxam a fila das privatizações são as empresas Correios e Eletrobrás, ambas deficitárias há algum tempo.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) será reduzida, porém mantida. Assim como, muito provavelmente, Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, porém sem suas subsidiárias.

Entre as extintas, certamente estará a Infraero, após a venda dos aeroportos.

A equipe econômica está aguardando apenas a aprovação da Reforma da Previdência para anunciar o pacote.