Cuidado com a fintech em que seu dinheiro está

Fintechs
(internet)

O lançamento de diversos apps de serviços financeiros é muito saudável para aumento da concorrência e, com isso, a diminuição dos custos dos serviços bancários. Mas como em todo o mercado que conquista um crescimento vertiginoso, vem a pergunta: há espaço para todos?

De acordo com analistas ouvidos pelo Estadão, não. A demanda é insuficiente.

No momento, os bancos digitais não têm reportado robustos lucros. Alguns dão até prejuízo. O foco, neste momento, é aumentar a base de clientes, para depois oferecer um leque de serviços financeiros com preços bem mais em conta do que os praticados pelos bancões.

O mercado de bancos digitais está na (boa) fase de de crescimento. Tudo é festa. Mas acredito que, em cerca de 4 anos, ele se consolidará com a compra de algumas fintechs pelos grandes bancos, a consolidação de outras no mercado e a falência das demais.

Por isso, caro leitor, tenha cuidado.

Bancões perdem grande fatia do mercado em 2019

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Os 5 maiores bancos do Brasil viram sua importância ser substancialmente diminuída já em 2019. Um estudo da consultoria. Um estudo de Roberto Luís Troster, ex-chefe da equipe econômica da Febraban, aponta que, somente no 1º
semestre de 2019, os cinco maiores bancos passaram de 72,3% para 64,5% de clientes do mercado. Uma queda de 11% em sua fatia no mercado.

Troster afirma ao jornal Valor Econômico que as justificativas para este declínio são a mudança de viés político em beneficiar grandes bancos, sejam públicos ou privados, e a característica tecnológica dos serviços, que passa a ser a questão central dos negócios.

Traduzindo: o Banco Central não vai mais ficar alisando os bancões e a tecnologia democratizou e facilitou o acesso às transações bancárias.

 

A “Napsterização” do Sistema Financeiro Nacional

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Quem tem seus trinta e poucos anos deve se lembrar que, no ano 2000, popularizou-se no Brasil e no mundo um programa de troca de músicas no formato MP3 chamado Napster. A galera mais nova talvez não saiba, mas para ouvir música antes do Napster era preciso comprar um disco caro (CD ou Vinil), com apenas uma ou duas faixas que te interessavam, dentro de quatorze. Este formato de venda de músicas fez a fortuna das grandes gravadoras por décadas. O mercado fonográfico era um dos mais poderosos do mundo.

O Napster fez ruir esse poder. A troca de músicas em MP3 pelas pessoas através da internet começou a ser muito malvista pelos poderosos das gravadoras. Então lançavam campanhas dizendo que pessoas comuns que baixavam MP3 eram coniventes com o crime, além de gerar toneladas de processos contra o pobre Napster. Nada disso adiantou. Tudo bem que as gravadoras conseguiram fechar o Napster na justiça, mas a demanda latente por consumo barato, personalizado e digital de música ganhou popularidade. Logo surgiram diversos programas similares e melhores que o Napster e, na esteira dessa novidade, os tocadores de MP3 (entre eles, o iPod). Resultado: as gravadoras, todas, sem exceção, perderam seu faturamento milionário. E, a partir de então, as poucas que sobraram passaram a viver à míngua. É bem verdade que os artistas foram de certa forma afetados. Porém, estes logo reajustaram seus cachês e continuaram a enriquecer suprindo a demanda por entretenimento ao vivo. Foi por isso é que a militância entre os artistas contra os MP3 não foi tão forte. Ao contrário: quanto mais pessoas ouvissem suas músicas, mais cheios ficavam os shows.

Outro caso similar recente aconteceu entre Uber x Táxi. A forte demanda por um serviço mais barato, mais justo e qualificado de transporte individual acabou por diminuir o faturamento em mais de 50% de taxistas estúpidos e arrogantes, que muitas vezes recusavam corridas, não tinham troco e colocavam o preço que queriam.

No sistema financeiro também está ocorrendo algo parecido. Está em pleno curso a “napsterização” e a “uberização” do sistema financeiro nacional. As chamadas “Fintechs,” os aplicativos financeiros, estão ganhando popularidade. Há aí uma clara demanda da nova geração em usar serviços bancários através do Smartphone, Internet Banking e outros canais de autoatendimento.

Só que os bancos estão sendo mais inteligentes que as gravadoras e os taxistas. Em vez de tentarem barrar na marra o avanço tecnológico, eles apropriaram-se desta nova forma de se fazer negócios para reduzir seus custos e aumentar seus lucros. Assim continuam faturando bilhões até hoje. Quem está sofrendo com as fintechs não são os banqueiros, são os bancários.

Nada menos do que 20.000 postos de trabalho em banco foram fechados em 2016. É uma tendência irreversível. Pois a nova geração não gosta de ir a banco. Basta ver quem é o publico que mais comparece às agências: acima de 40 anos e avessos à tecnologia. Os mais jovens querem resolver tudo através de aplicativos, caixas eletrônicos ou pelo internet banking.

Não me parece que tudo o que for atendimento presencial vai sumir. Mas está claro que eles vão ficar restritos a um público cada vez mais qualificado, aqueles 5% mais ricos do país.

Meu conselho a você que é bancário: comece urgentemente alguma faculdade ou pós-graduação em Tecnologia da Informação. Ou algum curso de renome nesta área. Com a sua vivência bancária aliada à crescente demanda por profissionais que cuidem do atendimento digital, você continuará a ter emprego no banco em que trabalha. E com grandes chances de ascensão.

O quê? Você é daqueles que não gostam nem de ouvir em falar em códigos ou programação? Então esteja entre os melhores profissionais de vendas em sua instituição financeira. Pode ser que você tenha alguma chance no longo prazo.

Banco Itaú acentua atendimento digital prevendo fechar 400 agências

Banco digital

O banco Itaú está prestes a realizar um agressivo movimento para acelerar a transformação digital do seu atendimento.

Fontes da Reuters informam que a direção do banco pretende fechar 400 agências nos próximos 2 anos. O número representa cerca de 10% das suas unidades ativas. Em resposta, o banco não desmentiu o comunicado, limitando-se a dizer que está sempre readequando sua rede de atendimento às necessidades dos clientes.

É um caminho sem volta, por mais que os bancões tentem negar. Ano passado, ao comentar o fechamento de mais de 1.500 agências em 2017, o CEO do Bradesco, Octavio de Lazari, dava a entender que seu banco ia parar com o fechamento das agências. Mas o que se viu foi que o encerramento de nada menos do que 132 unidades do Bradesco em 2018.