Paulo Guedes não é amigo dos bancões brasileiros

(Reprodução/Youtube)
(Reprodução/Youtube)

De acordo com Lauro Jardim, o Ministro da Economia foi contra a um interesse dos bancões brasileiros.

Segundo o colunista, Guedes vetou pessoalmente um vultuoso empréstimo de R$ 320 milhões, através do BNDES, para o Quod, um sistema de cadastro de inadimplentes semelhante ao SPC e Serasa, cujos sócios são os cinco maiores bancos do Brasil.

Este fato me lembra um trecho da entrevista de Paulo Guedes na GloboNews esse ano, em que disse: “Está ficando muito claro para o brasileiro comum o seguinte: tem 5 bancos, tem 6 empreiteiras […] e 200 milhões de patos.”

Assim como a Globo, os bancões terão dias difíceis nos próximos 3,5 anos.

Mas Paulo Guedes não era o Ministro dos sonhos dos grandes investidores?

Bancos Digitais aceleram o crescimento

(BCG)
(Boston Consulting Group)

Cerca de 71,5% das opções de serviços financeiros digitais atuais são independentes, ou seja, não estão ligados a bancos tradicionais.

Este movimento, que começou há 5 anos atrás, deu uma boa acelerada este ano. De acordo com a consultoria Boston Consulting Group, entre 500 mil e 1 milhão de novas contas são abertas nestas plataformas!

É claro que, em algum momento no futuro, vários desses serviços podem quebrar. Porém uma coisa é permanente: a percepção que os grandes bancos cobram tarifas demais de seus clientes e tentam empurrar demais a venda de produtos que não são interessantes para o consumidor, como seguros e capitalização.

É nisto que estas novas empresas focam. Depois que o mercado depurar, as sobreviventes serão fortalecidas, e diluirão os lucros dos 5 maiores bancos.

Empresas de Tecnologia também serão bancos

 

(Divulgação)
(Divulgação)

Os bancos digitais são tão digitais que nem parecem bancos, e sim um app que faz transações bancárias intuitivas.

Pois saiba que o caminho inverso também está se desenhando. Amazon, Apple, Google e Facebook estão cada vez mais avançando no campo financeiro.

A Amazon está está se associando ao banco JP Morgan Chase para lançar produtos financeiros digitais; A Apple está em vias de lançar o seu cartão de crédito; o valor de mercado do Google é enorme e o faturamento do seu negócio é quase todo digitalizado; e o Facebook acabou de anunciar sua moeda digital, com o objetivo de facilitar transações eletrônicas.

Os bancões brasileiros precisam urgentemente reforçar sua equipe digital. Ou vão ter que reforçar o lobby em Brasília, para impedir através da canetada a concorrência de empresas estrangeiras de tecnologia.

Futuro com cafeterias bancárias é uma ilusão

No final de março passado, visitei a cafeteria que um grande banco abriu no coração do centro do Rio de Janeiro. É de fato é um lugar muito bacana, é uma espécie de Starbucks bancária. Porém com um viés mais selecionado, elitizado.

Nada contra selecionar público e atender , mas achar que esse conceito vai segurar o fechamento das agências bancárias é ser muito inocente.

Hoje vemos agências de diferentes bancos coladas uma na outra. E sabemos que não há tanta demanda para café assim. Então SIM, as agências bancárias vão continuar fechando. Chuto que, em 10 anos, apenas metade ainda estarão de pé, e bastante modificadas.

Até Paulo Guedes concorda que há concentração bancária no Brasil

Por mais que a Febraban queira dizer que a concentração bancária é normal no Brasil, que em outros países da Europa também é assim, que o mercado bancário nos EUA é uma exceção, não dá para tapar o sol com a peneira. Até o guru do mercado concorda.

Paulo Guedes, Ministro da Economia, foi à câmara dos deputados hoje defender a reforma da previdência. Papo vai, papo vem, e surgiu o assunto sobre a concentração bancária brasileira que, de acordo com os críticos, provoca uma espécie de combinação de valor dos juros cobrados ao consumidor, sempre altos. Guedes disse que “o lucro dos bancos é alto porque são só ‘cinco ou seis’ instituições. Guedes afirma que ‘precisamos de competição, tudo no Brasil é cartelizado.”

Alguém discorda?

Mas as fintechs estão mudando este cenário. Basta elas terem coragem.

Ações do Banco Inter mais que dobraram em 5 meses

site_banco_inter

Quem investiu nas ações do Banco Inter (BIDI4) em sua estreia na Bovespa se deu bem! O banco abriu seu capital vendendo cada ação a R$ 18,50. Hoje ela vale nada menos do que R$ 43,22. Uma valorização de 133,62% em pouco mais de 5 meses! Um fenômeno!

Ok, quem investiu ganhou dinheiro. Mas e daí? Por que isso merece destaque?

Por causa do seu modelo de negócios.

O Banco Inter tem uma diferença crucial em relação aos grandes bancos: ele não cobra tarifas para nada! Ted, Doc, manutenção de conta… tudo isso é grátis, free, 0800! E mesmo com essa inexistente fonte de receita, o banco está sendo altamente lucrativo, principalmente devido à sua eficiente plataforma digital. TUDO é feito pelo celular ou pela internet.

Esta valorização acionária dá um importante recado aos grandes bancos: aumentem a velocidade da digitalização de seus serviços, para assim poderem abandonar mais rápido a velha ideia de empurrar  um monte de tarifas em seus clientes. Eles agora tem várias outras opções.

Bancão: adapte-se rapidamente ou definhe-se.