Conflito entre Família x Negócios em Breaking Bad

"Free Heisenberg Snowflake - Breaking Bad" by Lloyd Kinsley is licensed under CC BY-NC 4.0
“Free Heisenberg Snowflake – Breaking Bad” by Lloyd Kinsley is licensed under CC BY-NC 4.0

A notícia de que um possível filme da série Breaking Bad está sendo produzido é uma ótima oportunidade para eu republicar um artigo que escrevi assim que terminei de assistir a série em 2014:

O enredo de “Breaking Bad”, assim como “O Poderoso Chefão” e “Star Wars”, traz consigo uma interessante lição: “No intento de proteger sua família, você pode perdê-la.”

Na trilogia “O Poderoso Chefão”, Michael Corleone precisou matar ou ordenar a morte de vários inimigos, inclusive a do seu irmão, em nome da segurança do seu pai, esposa e filhos. Mas devido às escolhas que fez e às atitudes que tomou para salvar sua família das ameaças do crime organizado, acabou sendo rejeitado por ela.

Na nova trilogia de “Star Wars”, vimos o motivo pelo qual Anakin Skywalker se converteu ao Lado Negro e matou dezenas de Jedis adultos e crianças: salvar sua esposa da morte, que previra em um sonho. Mas devido às escolhas que fez e às atitudes que tomou para salvar Padmé de uma morte inevitável, acabou sendo rejeitado por ela.

E em Breaking Bad a história se repete: um professor de química do ensino médio, chamado Walter White, descobre que tem um câncer terminal. Sendo o único provedor da família, percebe que não tem quase nenhum dinheiro para garantir o sustento dela. Então decide usar seus conhecimentos químicos para fabricar uma droga de qualidade imbatível — como uma Coca Cola no meio de um mercado dominado por Dollys-Cola. Fica multimilionário. Mas devido às escolhas que faz e às atitudes que toma para salvar o sustento da sua família, acaba sendo rejeitado por ela.

Existem milhares de Walters Whites por aí. Não na forma literal, que é fabricando metanfetaminas para ganhar milhões com o vício alheio. Mas num sentido legítimo e figurado. Falo daquele chefe de família que já tem uma vida confortável, mas que por tédio ou vaidade, vive insatisfeito com o cargo que ocupa dentro na empresa. Sempre quer subir mais e mais na carreira, com o nobre propósito de prover sempre mais e melhor para a sua família, aumentando sua segurança contra uma possível miséria material. E como sabemos que altos cargos não caem do céu, o benevolente patriarca precisa correr atrás: além de ter que trabalhar na empresa por no mínimo 10 horas por dia, ainda oferece um bocado do seu tempo para seus colegas em eventos nos fins de semana. Ou não perde este tempo aos sábados, mas o investe num curso de Pós-Graduação das 8h às 17h. Quando não está dormindo, está trabalhando ou se capacitando para o trabalho. Com isso, o trabalho de pai acaba sendo terceirizado por babás ou diaristas. E a família, aquela que era a razão para todo aquele esforço, acaba aos poucos sendo esquecida, jogada para escanteio, ouvindo desculpas esfarrapadas para adiar compromissos. As poucas horas que sobram para passar com ela precisam ser cuidadosamente planejadas. Assim, o “Walter White da legalidade” vai aos poucos perdendo o encanto e admiração dentro de casa. Até se tornar um vilão.

Ter ambição profissional é saudável. Dá ânimo e energia para trabalhar todo dia com vontade. É um santo remédio para a depressão. Mas cuidado! Precisa ser tomado na dose certa. Senão este remédio vira um veneno para a vida familiar.

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