As 9 profissões ligadas a TI com grande potencial de crescimento

(internet)

Continuando a lógica do post anterior, vou escrever agora sobre 9 tipos de trabalho aliados à tecnologia e com grande potencial de crescimento.

De acordo com 3 empresas que tratam do assunto (Robert Half do Brasil, Center for the Future of Work e O Futuro das Coisas), as 9 profissões em questão são essas:

1. Detetive de Dados: especialista em identificar tendências de consumo de clientes e possíveis clientes;

2. Facilitador de TI: cria plataformas automatizadas para usuários criarem seus próprio sistemas;

3. Talker: “companhia” digital de idosos, prestando atendimento através de plataformas digitais;

4. Gerente de equipe humanos-máquinas: responsável pela sinergia de esforços entre colaboradores humanos e automatizados;

5. Alfaiate Digital: especialista em formatar peças de roupas com medidas precisas para venda online;

6. Gestor de E-learning: diretor de escola digital. Responsável pela gestão de EAD, as famosas aulas remotas.

7. Consultor em transformação digital: orientador de empresas para readequação do negócio ao mundo digital;

8. Curador de Memórias Pessoais: especialista em recriar memórias de idosos com doenças degenerativas, através de VR (Realidade Virtual) e AR (Realidade Aumentada);

9. Especialista em Blockchain: profissional com foco nas transações comerciais utilizando a mesma tecnologia das criptomoedas.

A repercussão do post sobre Tabata Amaral

(Print do Facebook)
(Print do Facebook)

No dia 10 de julho, fiz um post sobre a decisão da deputada Tabata Amaral em contrariar a determinação do comando do seu partido, que a ameaçou de expulsão, e votar com a sua convicção.

Não entrei no mérito sobre ela estar certa ou errada. Apenas fiz um paralelo com o mercado de trabalho destacando que, quando o profissional é qualificado, ele não teme ser demitido se contrariar as vontades do chefe ao fazer o que acha que é correto.

O tema evidenciou, mais uma vez, a polarização política no Brasil. Reitero que a questão central do post não era avaliar a posição política da deputada. Mas não adianta: atualmente, no Brasil, política virou futebol. Tudo é motivo para debate.

No Facebook, a postagem gerou dezenas de reações. Dos 71 comentários até o momento, foram 15 a favor e 41 contra. Já nas curtidas, foram 35 a favor e 22 contra. E 20 compartilhamentos.

No balanço final, foram 70 reações a favor e 63 contra.

Como não é necessário uma votação majoritária para que a deputada se reeleja, acredito que Tabata ganhou muito mais do que perdeu com o episódio.

Antipatia gera prejuízo para Bruna Marquezine

Bruna Marquezine
(Internet)

De acordo com Leo Dias, jornalista do mundo das celebridades, Bruna Marquezine tem sido propositalmente mais simpática com fãs e jornalistas.

Ele explica que a reputação que a atriz conquistou entre seus colegas era a de ser uma celebridade antipática e inacessível. Com isso, seu cachê caiu vertiginosamente.

Este problema de imagem gerava diversas notas negativas sobre a jovem todos os dias nos veículos de comunicação. Para contornar esta situação, sua empresária Juliana Mattoni usou a mesma estratégia que Tiririca ofereceu ao Bolsonaro: descer do pedestal.

O episódio ilustra bem como um(a) profissional que lida com o público, como vendedores, políticos(as) e empresários(as), deve se portar: simpático(a) e acessível. Senão o cliente se afasta. E gera prejuízo.

Caso Mauro Naves alivia folha salarial da Globo

(Reprodução/Veja SP)
(Reprodução/Veja SP)

Agora é oficial: Mauro Naves já não faz mais parte do time esportivo da Rede Globo. Foi demitido formalmente.

O jornalista foi afastado durante a polêmica de Neymar com a modelo Najila Trindade, que acusou o jogador de estupro. A justificativa para seu afastamento foi a de que o repórter agiu de maneira antiética ao fornecer o telefone do pai de Neymar para o então advogado da modelo, que buscava um acordo com o jogador.

Acredito que o motivo apresentado é fraco, e que a verdadeira razão é mais simples de entender: com 31 anos de casa, Mauro Naves tinha um dos maiores salários do jornalismo esportivo da Globo. E como a emissora está sendo obrigada a rever toda a sua folha salarial, o caso serviu como desculpa para dispensar o experiente repórter.

A Previdência e o futuro automatizado do trabalho

(Imagem: Getty Images/iStockphoto)
(Imagem: Getty Images/iStockphoto)

Merval Pereira, em sua coluna deste último sábado, levantou uma importante questão que relaciona a Previdência com o trabalho cada vez mais robotizado. Pois de acordo com José Roberto Afonso, professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), a Reforma da Previdência é necessária, mas insuficiente para lidar com o futuro do trabalho laboral cada vez mais automatizado por algoritmos.

Nas palavras do professor, haverá “um desemprego tecnológico brutal, provocado por robôs, economia compartilhada e outras realidades novas.” Com isso, a quantidade de salários pagos será menor e, por consequência, as contribuições previdenciárias também.

7 passos para ter estabilidade de emprego

Uma das qualidades que mais atraem profissionais para trabalhar no setor público é a estabilidade.

No setor público, você não perde o emprego se o novo gerente não for com a sua cara. Nem tampouco se aquele cliente importante resolve, de uma hora pra outra, trabalhar com um concorrente que oferece o mesmo produto ou serviço pela metade do preço. Ou ainda se uma severa crise econômica se instalar no Brasil. Nada disso.

No serviço público, salvo crimes cometidos, seu emprego está garantido. As mulheres podem tirar licença-maternidade sem sustos. Os homens podem dormir mais sossegados, sabendo que a mensalidade da escola da filha está garantida.

O problema é entrar no setor público. Em geral, apenas 5% dos mais bem colocados são convocados. É um “céu de brigadeiro” onde que muitos querem estar, mas onde só voam aviões pequenos. Infelizmente não é pra todo mundo.

Hoje sou empregado público, mas trabalhei durante 10 anos na iniciativa privada. Passei por 5 empresas e só fui demitido em uma, e não por incompetência. Por isso eu digo que é possível, sim, ter estabilidade fora do serviço público, no sentido de nunca ficar sem trabalho. Como? É o que vou te dizer agora:

 

  1. Busque QUALIFICAÇÃO sempre! Com ela, nós podemos nos impor no mercado de trabalho. Podemos nos dar ao luxo de escolher um emprego de melhor remuneração ou melhor ambiente. Qualificado, você será disputado. Busque qualificação e ganhe poder de negociação com seu futuro empregador. O que não falta são cursos com preço justo ou até mesmo de graça na internet, além de vasta informação. E busque qualificação de forma contínua: a cada 6 meses, aprenda algo novo que melhore seu currículo. Assim você sempre acompanha as tendências do mercado e não fica obsoleto;

 

  1. A cada 6 meses, atualize seu currículo. Pois em caso de uma demissão inesperada, você vai estar preparado, não perdendo muito tempo para atualizar seu material, agilizando assim sua recolocação. Se for do perfil do seu tipo de trabalho, deixe atualizado também seu portfólio;

 

  1. Busque um emprego de carteira assinada ou cobre mais. Além de garantir benefícios como FGTS e seguro-desemprego, a carteira assinada demonstra que a empresa é minimamente organizada. Sendo assim, as chances de atraso de salário ou demissão por motivos levianos são menores. Caso você não tenha opção ou prefira trabalhar como Pessoa Jurídica, peça algo em torno de 30 ou 40% a mais do que seria seu salário, para compensar os benefícios perdidos;

 

  1. Seja profissional. Preste atenção nos mínimos detalhes. Seja pontual e faça o que lhe pedem com capricho e esmero. Assim você ganha uma boa imagem pelos seus resultados e evita falhas bobas que comprometam sua reputação;

 

  1. Fale pouco. Evite fazer inimigos e desfaça mal entendidos. Desse modo você evita puxadores de tapete e tem em quem se apoiar nas horas de crise;

 

  1. Tenha um “colchão financeiro.” Significa ter um valor equivalente entre 6 a12 meses de gastos mensais aplicados na poupança ou tesouro direto. Assim você tem um suporte financeiro para segurar as contas em caso de uma demissão.

 

  1. Tenha uma rede de contatos ativa. Mantenha atualizado sua página no Facebook e, principalmente, no Linkedin, recheada de contatos relacionados ao seu trabalho. Se possível, tenha uma lista de e-mails de empresas em que você gostaria de trabalhar. Desse modo você espalha mais rapidamente a notícia que está disponível no mercado.

 

E para concluir, saiba de um segredo que quase todos os funcionários públicos já sabem: estabilidade não é sinônimo de felicidade!

7 dicas para ser convocado em um concurso público

Apesar de estarem devagar, quase parando no âmbito federal, os concursos públicos estaduais e municipais continuam ocorrendo.

Em 2013, consegui neste ano ingressar no serviço público. Considero que alcancei esse objetivo num tempo relativamente rápido. Comecei a estudar pra valer em meados de 2011 e estabeleci uma meta de 5 anos para ser convocado. Cumpri o objetivo em pouco mais de 2.

Talvez a razão de tamanha velocidade tenha sido o fato de eu nunca ter sido um “concurseiro profissional.” Já trabalhava há 10 anos na iniciativa privada e não estava indo mal (mas nem tão bem). Além desta experiência profissional, considero que minha experiência de vida contribuiu bastante para meu sucesso.

Como forma de agradecimento a Deus, decidi partilhar o meu conhecimento adquirido nesses anos de intenso estudo. As dicas servem para você ser convocado, e não somente para “passar” no concurso, porque passar é relativamente fácil. O objetivo é que você fique nas primeiras posições, entre os 3% mais bem colocados de qualquer concurso.

Já adianto que não há nada de extraordinário nessas dicas. Mas elas me ajudaram a conseguir uma cobiçada vaga por centenas de milhares de pessoas.

E também não é uma “receita de bolo.” É uma exposição de ideias para que você as leia, reflita e avalie quais delas vale a pena aplicá-las em seus estudos.

Lá vai:

 

  1. Pense a longo prazo

Se você está precisando de dinheiro no curto prazo, primeiro procure um trabalho na iniciativa privada. Estudar para concurso sem ter uma remuneração aumenta a responsabilidade e a pressão no dia da prova, o que prejudica seu desempenho. E mesmo que você consiga passar dentro das vagas ou entre os primeiros, podem levar vários meses (ou até anos) para você ser convocado. Por isso, primeiro resolva seus problemas financeiros de curto prazo e depois comece os estudos.

 

  1. Pesquise sobre convocações e notas dos 3% mais bem colocados dos concursos que vai prestar

Fazendo essas investigações na internet, você vai saber que nota mínima precisa tirar pra poder entrar e quantas convocações a empresa ou autarquia faz por mês na sua região. Além disso, identifique quais são as tendências de expansão do serviço público. Procure saber também quais regiões da sua cidade são menos disputadas. Ali será mais fácil de entrar.

 

  1. Habitue-se a estudar

Conhecimento não se ganha da noite para o dia. Por isso, habitue-se a estudar 30 minutos por dia no mínimo. Com o hábito do estudo, você pode trabalhar na iniciativa privada e não precisa ficar abrindo mão de diversão, já que está adquirindo conhecimento ao longo da vida. Não se estuda para passar. Estuda ATÉ passar. E inclui-se no conceito de “estudo” as leituras voluntárias de notícias e pesquisas espontâneas na internet sobre os temas da prova. Tendo uma visão de longo prazo, um trabalho que te remunera e o hábito de estudo, você não precisa impor limites de datas para interromper as tentativas de ingressar no serviço público. Poderá tentar a vida toda. Isso diminui a pressão e melhora a absorção de conteúdo e sua evocação na hora da prova.

 

  1. Habitue-se a fazer provas

Assim como um time é bom porque se habitua a disputar campeonatos importantes, assim é o candidato que presta muitos concursos. Esta atitude lhe confere o “ritmo de prova.” Busque na internet provas anteriores do concurso em que você está de olho e as realize em casa, respeitando os limites de horário que sua prova vai ter. E se a grana permitir, se inscreva no máximo de concursos que puder, mesmo que não seja a área em que esteja querendo entrar. Você vai adquirir o habito de prestar concursos. Por consequência, vai ficar cada vez menos nervoso(a) no dia da prova.

 

  1. Estude por teleaulas da internet

Neste tipo de aula são levantadas as questões mais importantes para as provas, sem interrupções impertinentes. Além disso, você pode voltar e repetir um assunto que não entendeu várias vezes. É como se você tivesse um curso preparatório particular, sem que colegas mais lentos que você interrompa as aulas para tirar dúvidas de assuntos que você já aprendeu. Com as teleaulas, você ganha tempo e economiza dinheiro. Além disso, poderá estudar em qualquer lugar: em casa, no caminho para o trabalho, na hora do almoço…

 

  1. Administre o tempo de prova

É fundamental saber quantos minutos você deve usar para responder cada questão. Naquelas em que você tem a certeza da resposta correta, já marque no cartão de respostas. Se deixar para passar todas as respostas para o cartão somente nos 15 minutos finais da prova, você corre o risco de, na pressa, se confundir e marcar errado, trocando as respostas. Falo por experiência própria. Com a correta administração do tempo, você vai perceber que acaba sobrando mais minutos para responder as mais difíceis. Procure também usar todo o tempo disponível. Não tenha pressa de ir embora. Vá ao banheiro de hora em hora, aproveitando para alongar-se, satisfazer necessidades e dar alguns minutos de descanso para o cérebro. Prova é como uma maratona.

 

  1. Pratique o “chute calculado”

Por mais que você tenha estudado, você nunca vai saber todas as respostas. Por isso, é preciso usar a matemática do “chute calculado.” O bom estudo ajuda nisso, fazendo com que você elimine as respostas que sabe que estão erradas. Eliminar respostas aumenta matematicamente suas chances de acerto. Parece óbvio, mas muita gente não faz isso. Em qualquer questão de múltipla escolha com 5 respostas, você começa com 20% de chances de acertá-la. Se você tem certeza que uma está errada e a elimina, suas chances saltam para 25%. Se eliminar duas, vai para 33%. Se eliminar três, vira cara e coroa: 50%. Por isso, sempre utilize esse recurso, mesmo naquelas questões em que você conhece a resposta, somente para confirmar o que você tem razão.

Em resumo, as dicas se baseiam em 3 palavras: planejamento, estudo e diligência.

Boa sorte!

_________________________________________________________

Para saber mais

 

  • Livro

Super Dicas Para Passar no Concurso Público

 

  • Procure participar de grupos relacionados a concursos no Facebook, Orkut e diversos fóruns na internet.

Autoentrevista com um ex-Publicitário

Nota: Este é um artigo que escrevi em 2013, mas que se encontra atual até hoje. E, de fato, estava coberto de razão. A crise pós-copa veio para destruir ainda mais as pequenas agências, estimular fusões das maiores e direcionar a receita publicitária para internet, onde a figura do publicitário muitas vezes é dispensável.

Quando decidi mudar radicalmente minha vida profissional e abandonar o mercado publicitário, algumas pessoas não entenderam muito bem essa escolha. É claro que os questionadores não eram publicitários, nem tampouco conheciam a rotina de um profissional de criação. Por isso resolvi fazer uma auto-entrevista, a fim de fazer-me entender melhor àqueles que ainda não se convenceram de que esta escolha foi decididamente a melhor para o meu futuro.

Não quero cuspir no prato que comi. Vou apenas apontar os defeitos do prato para que o próximo se alimente melhor, com mais dignidade.

 

Por que você mudou do mercado publicitário para o setor público?

Porque em certas áreas do setor público há uma série de vantagens em relação ao mercado publicitário: horários regulares, maior valor à hora trabalhada, plano de carreira, maior segurança (mesmo nas celetistas) e maior respeito pelo funcionário. Após trabalhar em quatro agências de publicidade, eu percebi que, o que antes eu considerava crise, era na verdade uma nova ordem do mercado publicitário: mais popular e menos rentável. Durante meu período nesta área, não vi uma boa quantidade de grandes salários – apenas um ou outro. O que percebi de fato foi alta rotatividade e pouco respeito pelo horário de trabalho – apesar de ter dado a sorte de nunca ter virado a noite, ficando no máximo até 23:45h. Porém, em duas delas, era comum ficar após às 19:30h. Todos ficavam à mercê do humor do chefe. E a remuneração por hora-extra é uma coisa quase inexistente nesse meio, soando como piada.

Em agências maiores, a coisa é pior: virar noite é algo rotineiro. Uma fonte confiável dentro de uma grande agência, daquelas em que seu criador é famoso por suas citações, disse que o trabalho na criação é “ralação total, tipo escravidão.” Ou seja, quem quiser progredir na carreira publicitária, quem almeja uma grande agência e uma maior remuneração, deve abrir mão de sua vida pessoal.

 

O setor público paga melhor que o mercado publicitário?

O setor público é muito amplo. Mas em algumas empresas públicas, isso é verdade. A matéria “O valor da ideia”, publicada no jornal O Globo no dia 11/12/2011, traz uma pesquisa mostrando que o salário médio do publicitário carioca é de R$ 2.238, já contando os dissídios de 2011 e 2012. Para efeito de comparação, podemos pegar o edital do concurso do Banco do Brasil, publicado em fevereiro de 2013 . O valor era de R$ 1.892 para trabalhar 6 horas por dia, 30 por semana. E com horas extras pagas. Um publicitário trabalha cerca de 9 horas por dia em média, isso nas agências mais tranquilas. Fazendo as contas, vamos chegar à conclusão que a hora no setor bancário público vale cerca de 30% a mais do que na publicidade. Isso sem contar os outros benefícios, as chances de promoção e outras vantagens. Aí seria uma vitória de lavada!

 

A que você atribui esse baixo valor da hora trabalhada na publicidade?

À lei da oferta e procura. Estudar publicidade virou modinha entre os jovens, porque se tem a impressão de que você trabalha se divertindo. Mas não existe trabalho que é só diversão. Até mesmo quem trabalha com eventos concorda comigo. Há responsabilidades, prazos, repetições e nada disso é divertido. Com publicitários se formando aos montes, a oferta de profissionais aumentouE com isso, os salários diminuíram. É fato conhecido que muitos estagiários trabalham como se fossem contratados. Mas aceitam essa exploração para estarem por dentro do ambiente publicitário, para fazer parte do suposto “glamour” que carrega consigo. E o pior: quando promovidos, aceitam ganhar metade do que um profissional na mesma função ganha. Tudo para poder fazer valer seus estudos e estar trabalhando no meio. Como se isso fosse “cool”.

 

Você mencionou acima a expressão “plano de carreira.” O publicitário não tem?

Não o profissional de criação. A única esperança deste é virar Diretor de Criação, cargo que só existe nas grandes agências e que consome 100% do tempo livre do profissional. Ou então abrir sua própria agência. Por isso que é comum você encontrar profissionais com cerca de 40 anos de idade trabalhando no departamento de criação. E o mercado fica difícil pra quem tem mais idade que isso.

 

Você se arrepende de ter estudado publicidade?

Não, porque eu entendo a escolha que fiz. Fazer um segundo grau técnico em publicidade foi o caminho mais curto e acessível que encontrei para começar a trabalhar e ganhar dinheiro, pois nunca fui playboy. Depois pensei que precisava ter uma faculdade de publicidade para aumentar as minhas chances de trabalhar numa grande agência. Já formado, percebi que o curso acadêmico era mais do que um reforço no currículo. Ele ensina o que você não conhece e onde procurar o conhecimento quando você precisar dele, como descobrir a si mesmo e como interagir com outras pessoas, como lidar com a rejeição e o fracasso. Graças a esse tipo de educação e treinamento, pude fazer pesquisas sobre o mercado publicitário atual e refletir seu futuro.

 

Você considera que está jogando fora 11 anos de experiência com publicidade?

Não. O horário de trabalho regular que a empresa pública me oferece permite que eu pegue trabalhos freelance, apesar de não estar nos meus planos imediatos. Mesmo que não pegue nenhum, não há problema. Ganhei um bom dinheiro com este conhecimento. E a vida atual nos ensina que nenhum conhecimento rende frutos eternamente. Quando o cenário muda, precisamos ter a coragem de nos desapegar de certas habilidades para adquirirmos outras. É o caso do mecânico especialista em carburador ou do profissional especialista em revelar rolos de filmes fotográficos. Estão ultrapassados. Posso dar um exemplo próprio: durante cinco anos, trabalhei com um software chamado Adobe Flash, que faz animações para internet. Só que hoje ele está sendo superado pelo conjunto de linguagens HTML 5+CSS+Javascript, linguagens que rodam em qualquer plataforma (desktops, notebooks, tablets, smartphones, etc). Ou seja, quem sabe Flash vai ter que se virar para aprender a usar HTML5, ou então vai ficar pra trás. E a empresa em que estou trabalhando é grande, possui uma boa área de marketing. Se eu achar que vale a pena, vou fazer o possível pra trabalhar lá. Mas nada me impede de focar em TI, por exemplo, uma área que só cresce, tem escassez de profissionais e, por isso, paga bem.

 

Não acha chato ser empregado público?

Não, porque não me iludo mais com o conceito de “fazer o que se gosta”. Trabalho é trabalho, diversão é diversão. Durante minha vida profissional como publicitário, não tive essa diversão toda que alguns pensam que a publicidade tem. Como Diretor de Arte, diagramei muitos livros, fiz muitos anúncios de carros, de vidraçarias, de medicamentos. Isso sem falar que 60% de todo o trabalho consistia em alterações de campanhas prontas. Ou seja, nada muito divertido. Pelo menos nesse meu novo trabalho eu tenho horários fixos, que variam entre 6 e 8h por dia. No resto do dia posso ser mais criativo.

 

Você acha que vai ser taxado de acomodado por ser funcionário público?

Acho sim. Porém, vou ser taxado por pessoas que desconhecem totalmente o novo setor público. Há empresas e empresas. Estou entrando numa que há um claro e conhecido plano de carreira, com diversas áreas dentro desta corporação. Ou seja, só fica acomodado quem quer. E mesmo que minha organização fosse uma que não oferecesse oportunidades para subir na carreira, não teria problema. Estudaria para outros concursos com carreiras mais promissoras ou procuraria ter um negócio que não entrasse em conflito com meu horário de trabalho. O que não posso é ficar empacado como Diretor de Arte a vida inteira.

 

O que o mercado publicitário pode fazer para melhorar?

Se unir. Hoje, ou por causa da disputa por vagas no mercado, ou por pura preguiça, ou por infantilidade mesmo, há muita desunião entre os profissionais de publicidade, principalmente do departamento de criação. Muitos aceitam sem reclamar as horas-extras extenuantes que são coagidos a fazer. Outros acham que está tudo certo em trabalhar sem carteira-assinada, abrindo mão de todos os direitos e garantias que os trabalhadores do Brasil têm por lei. Além disso, o sindicato publicitário é fraco, só existe para resolver a burocracia de quem é demitido. Porém, uma reação unida não vai surtir tanto efeito se a publicidade continuar sendo a profissão da moda. Porque enquanto existirem substitutos, quem não se enquadrar será demitido. Por isso, também é preciso  divulgar a realidade do cotidiano da publicidade. Falar aos estudantes e aos profissionais que estão entrando que eles vão viver para agência, fazer seus horários de acordo com a vontade do chefe e não de acordo com a lei. Falar que vai ser mais difícil montar uma família trabalhando numa agência dessas e que os principais amigos serão os colegas de trabalho.

______________________________________________________________________

 

PARA REFLETIR E SABER MAIS:

EXEMPLO REAL SOBRE COMO UM DIRETOR DE CRIAÇÃO ENTUBA HORAS-EXTRAS EM SEUS SUBORDINADOS (“Traz sua escova de dentes”):

http://youtu.be/mDDq9y3BMOc?t=4m59s

 

COMERCIAL BEM HUMORADO QUE FALA SOBRE A PROSTITUIÇÃO DO MERCADO PUBLICITÁRIO

http://www.youtube.com/watch?v=CYu1cQs4Y5Y

 

COMERCIAL BEM-HUMORADO QUE FALA SOBRE A REALIDADE DAS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE

http://www.youtube.com/watch?v=ANoc0srXw3A

 

COMO CRIAR CORAGEM PARA RECUSAR HORAS-EXTRAS GRATUITAS

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/max-gehringer/2011/04/12/ESTICAR-EXPEDIENTE-E-UM-HABITO-BRASILEIRO.htm

 

LIVRO “CHEGA DE OBA-OBA”, DA PUBLICITÁRIA JUDITH MAIR

http://compare.buscape.com.br/chega-de-oba-oba-judith-mair-8533621280.html?pos=1#precos

 

A “Napsterização” do Sistema Financeiro Nacional

shutterstock_300288818-1635x1090

Quem tem seus trinta e poucos anos deve se lembrar que, no ano 2000, popularizou-se no Brasil e no mundo um programa de troca de músicas no formato MP3 chamado Napster. A galera mais nova talvez não saiba, mas para ouvir música antes do Napster era preciso comprar um disco caro (CD ou Vinil), com apenas uma ou duas faixas que te interessavam, dentro de quatorze. Este formato de venda de músicas fez a fortuna das grandes gravadoras por décadas. O mercado fonográfico era um dos mais poderosos do mundo.

O Napster fez ruir esse poder. A troca de músicas em MP3 pelas pessoas através da internet começou a ser muito malvista pelos poderosos das gravadoras. Então lançavam campanhas dizendo que pessoas comuns que baixavam MP3 eram coniventes com o crime, além de gerar toneladas de processos contra o pobre Napster. Nada disso adiantou. Tudo bem que as gravadoras conseguiram fechar o Napster na justiça, mas a demanda latente por consumo barato, personalizado e digital de música ganhou popularidade. Logo surgiram diversos programas similares e melhores que o Napster e, na esteira dessa novidade, os tocadores de MP3 (entre eles, o iPod). Resultado: as gravadoras, todas, sem exceção, perderam seu faturamento milionário. E, a partir de então, as poucas que sobraram passaram a viver à míngua. É bem verdade que os artistas foram de certa forma afetados. Porém, estes logo reajustaram seus cachês e continuaram a enriquecer suprindo a demanda por entretenimento ao vivo. Foi por isso é que a militância entre os artistas contra os MP3 não foi tão forte. Ao contrário: quanto mais pessoas ouvissem suas músicas, mais cheios ficavam os shows.

Outro caso similar recente aconteceu entre Uber x Táxi. A forte demanda por um serviço mais barato, mais justo e qualificado de transporte individual acabou por diminuir o faturamento em mais de 50% de taxistas estúpidos e arrogantes, que muitas vezes recusavam corridas, não tinham troco e colocavam o preço que queriam.

No sistema financeiro também está ocorrendo algo parecido. Está em pleno curso a “napsterização” e a “uberização” do sistema financeiro nacional. As chamadas “Fintechs,” os aplicativos financeiros, estão ganhando popularidade. Há aí uma clara demanda da nova geração em usar serviços bancários através do Smartphone, Internet Banking e outros canais de autoatendimento.

Só que os bancos estão sendo mais inteligentes que as gravadoras e os taxistas. Em vez de tentarem barrar na marra o avanço tecnológico, eles apropriaram-se desta nova forma de se fazer negócios para reduzir seus custos e aumentar seus lucros. Assim continuam faturando bilhões até hoje. Quem está sofrendo com as fintechs não são os banqueiros, são os bancários.

Nada menos do que 20.000 postos de trabalho em banco foram fechados em 2016. É uma tendência irreversível. Pois a nova geração não gosta de ir a banco. Basta ver quem é o publico que mais comparece às agências: acima de 40 anos e avessos à tecnologia. Os mais jovens querem resolver tudo através de aplicativos, caixas eletrônicos ou pelo internet banking.

Não me parece que tudo o que for atendimento presencial vai sumir. Mas está claro que eles vão ficar restritos a um público cada vez mais qualificado, aqueles 5% mais ricos do país.

Meu conselho a você que é bancário: comece urgentemente alguma faculdade ou pós-graduação em Tecnologia da Informação. Ou algum curso de renome nesta área. Com a sua vivência bancária aliada à crescente demanda por profissionais que cuidem do atendimento digital, você continuará a ter emprego no banco em que trabalha. E com grandes chances de ascensão.

O quê? Você é daqueles que não gostam nem de ouvir em falar em códigos ou programação? Então esteja entre os melhores profissionais de vendas em sua instituição financeira. Pode ser que você tenha alguma chance no longo prazo.

TI está entre os 10 setores que mais receberam aumento salarial em 2018

Uma pesquisa realizada pela PageGroup no Brasil constatou que o setor de Tecnologia da Informação foi um dos que mais receberam aumento salarial no ano passado.

Não é para menos. Com a alta demanda de mercado para mentes capacitadas a trabalhar na área e baixa formação de profissionais, é de se esperar que os que já estão inseridos no mercado recebam generosas ofertas para que não troquem de empresa.

Além de TI, os setores de RH, Serviços Financeiros, Vendas, Contabilidade, Varejo, Imobiliário, Seguros, Saúde e Engenharia também estão entre os dez  que mais valorizaram financeiramente seus profissionais.

Você trabalha em algum deles?